TEDE Universidade Católica de Santos Programa de Pós-graduação Doutorado em Educação
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Type: Tese
Title: Vivências emancipatórias em tecnologias digitais: as práxis insurgentes dos professores de informática educativa em Duque de Caxias-RJ
Author(s): Barbosa, Valmir Jhonatta Almeida
First Advisor: Franco, Maria Amélia do Rosário Santoro
First member of the board: Rabelo, Roberto Araújo da Silva Vasques
Second member of the board: Leite, Maria Alzira
Third board member: Lima, Mary Gracy e Silva
Fourth member of the board: Moreira, Sueli de Lima
Abstract: Esta tese recorreu à pedagogia crítica e ao pensamento decolonial para analisar os efeitos da precarização e da colonização digital sobre a escola pública. Teve como lócus a rede municipal de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, e abrangeu o período de 2016 a 2025, década iniciada com o ingresso dos primeiros professores concursados em Informática Educativa e marcada por políticas de desmonte. A investigação buscou responder como os Professores de Informática Educativa, inseridos em um contexto neoliberal de colonização digital, resistiram e construíram sentidos para suas práticas docentes. Subsidiariamente, indagou se práticas emancipatórias poderiam emergir nesse contexto. O objetivo consistiu em compreender como esses professores resistiram e produziram sentidos emancipatórios em suas práticas, mediante a análise do contexto histórico e político do município e das formas de resistência construídas no cotidiano escolar. A fundamentação teórica articulou a pedagogia crítica (Freire; Franco; Giroux) à crítica do projeto neoliberal de escola (Laval). O pensamento decolonial (Quijano; Mignolo; Fanon) sustentou a compreensão da colonização digital como atualização do padrão colonial de poder. A leitura do colonialismo de dados (Couldry; Mejias) permitiu analisar como a experiência humana foi convertida em fonte de extração e apropriação de dados, enquanto a teoria crítica da tecnologia (Feenberg; Zuboff; Silveira) fundamentou a compreensão das tecnologias e dos algoritmos como construções atravessadas por interesses políticos, econômicos e sociais. Metodologicamente, o Estudo de Caso (Yin) sustentou a análise do território e das políticas que incidiram sobre o trabalho docente, ao possibilitar a investigação do fenômeno em profundidade e em seu contexto real. Como aprofundamento desse percurso, foi criado o dispositivo Vivências Emancipatórias em Tecnologias Digitais, Veted, desenvolvido como pesquisa-formação (Santos; Josso; Macedo) e como espaçotempo de escuta, diálogo e reflexão (Alves). Participaram quatro professores concursados, que analisaram coletivamente as práticas e contribuíram para a construção do conhecimento. A triangulação (Yin) articulou o Estado da Questão, a análise documental e as narrativas docentes, examinadas pela leitura flutuante (Bardin) e por núcleos de sentido (Bardin; Aguiar; Soares; Machado), interpretados pelas categorias de autonomia docente, práxis decolonial e esperança crítica. Os resultados revelaram que, em Duque de Caxias, a colonização digital não se materializou pela imposição de plataformas ou currículos padronizados, mas pela precarização neoliberal da escola pública. Na rede municipal, os estudantes já estavam inseridos na cultura digital, que atravessava suas formas de comunicação, sociabilidade e produção de sentidos. O problema esteve na ausência de uma política que garantisse à escola condições para mediar criticamente essa experiência e sustentar práticas docentes com as tecnologias digitais no cotidiano escolar. Contra essa negação, os professores construíram práxis insurgentes, fizeram das tecnologias mediações críticas, transformaram experiências em elaboração curricular, recriaram o currículo vivido e assumiram a autoria de sua formação. Concluiu-se que as políticas de desmonte nem sempre destroem as práticas emancipatórias que, construídas coletivamente, resistiram e produziram novos sentidos para a educação. Essa resistência, contudo, não substitui o dever do Estado de assegurar a Informática Educativa como campo formativo e como mediação crítica na relação dos estudantes com o mundo digital.
Abstract: This thesis drew on critical pedagogy and decolonial thought to analyze the effects of precarization and digital colonization on public education. The research was conducted within the municipal school system of Duque de Caxias, Rio de Janeiro, in the state of Rio de Janeiro, and covered the period from 2016 to 2025, a decade that began with the appointment of the first tenured Educational Informatics Teachers and was marked by dismantling policies. The investigation sought to answer how Educational Informatics Teachers, situated within a neoliberal context of digital colonization, resisted and constructed meanings for their teaching practices. As a subsidiary question, it examined whether emancipatory practices could emerge within this context. The objective was to understand how these teachers resisted and produced emancipatory meanings through their practices by analyzing the municipality’s historical and political context and the forms of resistance constructed in everyday school life. The theoretical framework articulated critical pedagogy (Freire; Franco; Giroux) with the critique of the neoliberal project of schooling (Laval). Decolonial thought (Quijano; Mignolo; Fanon) supported the understanding of digital colonization as a contemporary manifestation of the colonial pattern of power. The perspective of data colonialism (Couldry; Mejias) made it possible to analyze how human experience was transformed into a source of data extraction and appropriation, while critical theory of technology (Feenberg; Zuboff; Silveira) supported the understanding of technologies and algorithms as constructions shaped by political, economic, and social interests. Methodologically, the Case Study approach (Yin) supported the analysis of the territory and the policies that affected teachers’ work by enabling an in-depth investigation of the phenomenon within its real-life context. To deepen this methodological process, the research device Vivências Emancipatórias em Tecnologias Digitais, Veted, was created and developed as research-formation (Santos; Josso; Macedo) and as a spacetime for listening, dialogue, and reflection (Alves). Four tenured teachers participated in the study, collectively analyzing their practices and contributing to the construction of knowledge. Triangulation (Yin) articulated the State of the Question, documentary analysis, and teachers’ narratives, which were examined through floating reading (Bardin) and meaning cores (Bardin; Aguiar; Soares; Machado), interpreted through the categories of teacher autonomy, decolonial praxis, and critical hope. The findings revealed that, in Duque de Caxias, digital colonization did not materialize through the imposition of platforms or standardized curricula, but through the neoliberal precarization of public education. Within the municipal school system, students were already immersed in digital culture, which shaped their forms of communication, sociability, and meaning-making. The problem lay in the absence of a policy capable of ensuring that schools had the conditions necessary to critically mediate this experience and sustain teaching practices involving digital technologies in everyday school life. In response to this denial, teachers constructed insurgent praxis, transformed technologies into forms of critical mediation, turned experiences into curricular elaboration, recreated the lived curriculum, and assumed authorship of their own professional formation. The study concluded that dismantling policies do not always destroy emancipatory practices which, when collectively constructed, resist and produce new meanings for education. Such resistance, however, does not replace the State’s responsibility to ensure Educational Informatics as a field of professional formation and as a form of critical mediation in students’ relationship with the digital world.
Esta tesis empleó la pedagogía crítica y el pensamiento decolonial para analizar los efectos de la precarización y la colonización digital en las escuelas públicas. Se centró en el sistema escolar municipal de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, abarcando el periodo de 2016 a 2025, una década que comenzó con la contratación de los primeros docentes titulares de Informática Educativa y estuvo marcada por el desmantelamiento de políticas. La investigación buscó responder cómo los docentes de Informática Educativa, inmersos en un contexto neoliberal de colonización digital, resistieron y construyeron significado para sus prácticas docentes. De forma secundaria, indagó si podían surgir prácticas emancipadoras en este contexto. El objetivo fue comprender cómo estos docentes resistieron y produjeron significados emancipadores en sus prácticas. El marco teórico articuló la pedagogía crítica (Freire; Franco; Giroux) con una crítica del proyecto escolar neoliberal (Laval). El pensamiento decolonial (Quijano, Mignolo, Fanon) respaldó la comprensión de la colonización digital como una actualización del patrón de poder colonial. La lectura del colonialismo de datos (Couldry, Mejías) permitió analizar cómo la experiencia humana se ha convertido en una fuente de extracción de datos, mientras que la teoría crítica de la tecnología (Feenberg, Zuboff, Silveira) fundamentó la comprensión de las tecnologías y los algoritmos como construcciones atravesadas por intereses políticos. Metodológicamente, el estudio de caso (Yin) apoyó el análisis del territorio y las políticas que impactaron el trabajo docente. Para profundizar en este proceso, se creó el dispositivo Experiencias Emancipadoras en Tecnologías Digitales (Veted), desarrollado como investigación-formación (Santos, Josso, Macedo) y como espaciotiempo para la escucha, el diálogo y la reflexión (Alves). Cuatro docentes titulares participaron, analizando colectivamente las prácticas y contribuyendo a la construcción del conocimiento. La triangulación (Yin) articuló el estado de la cuestión, el análisis documental y las narrativas docentes, examinadas a través de los núcleos de significado (Bardin; Aguiar; Soares; Machado), interpretados a través de las categorías de autonomía docente, praxis decolonial y esperanza crítica. Los resultados revelaron que, en Duque de Caxias, la colonización digital no se materializó mediante la imposición de plataformas, sino a través de la precarización neoliberal del sistema escolar público. En la red municipal, los estudiantes ya estaban inmersos en la cultura digital. El problema radicaba en la ausencia de una política que garantizara a la escuela las condiciones para mediar críticamente esta experiencia. Frente a esta negación, los docentes construyeron praxis insurgentes, convirtieron las tecnologías en mediaciones críticas, transformaron las experiencias en desarrollo curricular y asumieron la autoría de su formación. Se concluyó que desmantelar políticas no siempre destruye prácticas emancipadoras que resistieron y generaron nuevos significados para la educación. Sin embargo, esta resistencia no exime al Estado de su deber de garantizar la Informática Educativa como campo formativo y mediación crítica.
Keywords: vivências emancipatórias em tecnologias digitais; pedagogia crítica; informática educativa; colonização digital; pesquisa-formação
emancipatory experiences in digital technologies; critical pedagogy; educational computing; digital colonization; research-training
experiencias emancipadoras en tecnologías digitales; pedagogía crítica; informática educativa; colonización digital; investigación-formación
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO
Language: por
Country : Brasil
Publisher: Universidade Católica de Santos
Institution's Acronym: Católica de Santos
Department: Centro de Ciências da Educação e Comunicação
Program: Doutorado em Educação
Citation: BARBOSA, Valmir Jhonatta Almeida. Vivências emancipatórias em tecnologias digitais: as práxis insurgentes dos professores de informática educativa em Duque de Caxias-RJ. 2026. 287 f. Tese (Doutorado) – Universidade Católica de Santos, Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Educação, 2026
Type of Access: Acesso Aberto
URI: https://tede.unisantos.br/handle/tede/8132
Issue Date: 12-Aug-2026
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